Publicamos a parte final do Ensaio: "AS CINCO VIAS DE SANTO TOMÁS DE AQUINO". Dissertação apresentada como requisito parcial para obtenção do grau de Bacharel em Filosofia pela UFRGS. Carlos Augusto Pessoa de Brum obteve conceito "A". Ensaio profundo e erudito, que avalia o trabalho intelectual de Tomás de Aquino, homem medievo e cérebro brilhante, que buscou provar a existência de Deus, através de cinco rotas filosóficas .
12.1. Conclusão
Santo Tomás de Aquino, após listar suas Cinco Vias, considera feito o seu trabalho de demonstrar a existência de Deus. E é preciso admitir que, mesmo com tanto tempo passado desde a primeira formulação das provas, elas ainda são relevantes e intrigantes. Não é possível acusar o filósofo de fanatismo ou dogmatismo, pois todos seus argumentos são estritamente racionais.
A Primeira Via e a Segunda Via, que provam a necessidade de um princípio motor e de uma causa eficiente, respectivamente, são praticamente cópias de argumentos da física Aristotélica, amplamente aceita antes mesmo da criação da religião Católica. A Terceira Via, que mostra a necessidade de algo necessário, é um argumento fino e complexo. A Quarta Via e a Quinta Via, através dos graus de bondade e da finalidade das coisas, demonstram como o plano divino pode ser visto em nossas experiências diárias.
Claro, se na Idade Média já era possível retrucar qualquer uma das Cinco Vias, se tornou mais fácil fazê-lo na atualidade. A Primeira Via, a Segunda Via e a Terceira Via se tornarão falsas caso fosse provado o Big Bang. A Terceira Via também se torna automaticamente falsa caso um dia o mundo acabe. A Quarta Via e a Quinta Via são enfraquecidas por novos conhecimentos científicos: a idéia de “quente” exigir “o mais quente” faz a idéia de “frio” exigir “o mais frio”, mas o conceito de Zero Absoluto põe tudo isso em cheque, e transmitir a idéia para as qualidades de perfeição mais relativas, como bondade e caridade, se torna uma tarefa menos automática. Sobre a Quinta Via, hoje em dia, ao vermos uma pedra cair, dificilmente pensamos que ela está realizando uma ação, pois sabemos o quanto a Força da Gravidade tem a ver com tudo isso. A própria Resposta à Primeira Objeção parece exageradamente ingênua, e cada vez mais se torna fácil encontrar um mal do qual não saia bem algum.
Quanto mais conhecemos as leis físicas e químicas que regem o nosso Universo, mais temos o sentimento de que tudo é natural: nascemos de uma explosão, crescemos através da evolução e hoje vivemos graças a um trilhão de leis científicas que podem ser provadas em laboratório ou em sala de aula das mais diversas e irrefutáveis maneiras.
A forte presença de Deus não é mais sentida como era na Idade Média, e muito de seu território vai sendo perdido: alguma parte dele é conquistada pela descrença, enquanto o resto a ciência dá cabo.
Ainda assim, é necessário admitir: com suas Cinco Vias, Santo Tomás de Aquino chegou o mais perto possível de provar de forma não-dogmática a existência de Deus. Aceitar suas provas hoje em dia, porém, é questão de fé mais do que nunca: afinal, mesmo que a crença seja a mesma, o mundo está muito mais conhecido e conhecedor, e a cada dia fica mais difícil encontrar alguém que acredite nas provas geradas e agrupadas por um filósofo-santo que viveu em plena Idade Média.